Liverpool
O Tomás nasceu de madrugada. Eu e o D. dormíamos na sala de espera (o D. com uma bebedeira descomunal) e o F. (nosso amigo NN que tão bem nos recebeu e de quem já tínhamos saudades) entrou na sala de espera aos saltos. O Tomás nasceu e o Benfica tem mais um adepto.
Correu tudo bem, inclusive, o facto de só termos encontrado dois bilhetes no mercado negro para o jogo foi bom, porque o F. não poderia ir. Dia 26 de Agosto de 2006, o Benfica ganhou mais um fanático (com um pai daqueles, tudo o que sair a menos é grave) e eu fui a Anfield Road.

Na cidade onde toda a gente tem a camisola nova do clube (sem exagero, um em cada três miúdos tem a camisola nova e com nome e número de jogador atrás), não há grande ambiente à volta do estádio. Tudo calmo e pacífico com a cultura da camisola (mesmo as do West Ham misturadas) a prevalecer. Nem parecia que era o primeiro jogo do LFC em casa da época. Tudo extraordinariamente calmo. Só aquelas camisolas todas é que me faziam confusão. E havia muitas amarelas, que como podem ver pela foto...estavam à venda há dois dias!

Lá dentro, cada um sentado no lugar que o bilhete atribui e este cartaz que qualquer dia aparece em Portugal. Tudo parece ser pacífico e calmo. Mas quando o jogo começa, as coisas são diferentes e muito.
A You`ll Never Walk Alone é uma coisa do outro mundo. Faz-nos mesmo acreditar que o futebol pode ser diferente, que é possível voltar a um mundo de magia não mercantilizado. Os cachecóis no ar, o mosaico, os cânticos honestos (lá cantar é uma coisa boa, para toda a gente. Não é para maluquinhos, não tem divisões sociais, não é para os que estão de pé. Canta-se porque é futebol.) e a bancada rival cheia de sentido de humor.
"Two - onde...and you`re still afraid!" Cantavam os hammers, enquanto o LFC trocava a bola na defesa com 2-1 no marcador a seu favor.
É difícil explicar o que sente num estádio assim. Para quem passa o tempo a ver futebol em estádios degradantes, num ambiente de suspeição, com curvas de merda, bancadas vazias e mesquinhez em toda a linha, Anfield Road é um paraíso. Por um lado anima uma pessoa, dado que, afinal, há mesmo coisas melhores a acontecer. Mas por outro, como o Sr. Virgílio e este Benfica, a coisa é deprimente.
Num país onde as bancadas são supostamente contra o "futebol moderno" e vendem material como mercearias, quando se festeja a carga da polícia numa claque adversária...Como chegar até aqui?
Quando as pessoas não lutam contra a corrupção porque isso pode prejudicar o seu clube, quando cantar o hino do clube é difícil até para pessoas ditas "ultras" do seu clube... Como chegar aqui?
Quase um mÊs depois de Anfield Road, tenho saudades daquilo. Como um "País das Maravilhas". Viajar é fantástico porque nos mostra outras coisas, outras culturas e gente nova. O que dói é olhar para dentro e ver que cá a coisa não vai dar.
Quanto ao F. e à A.: obrigado por tudo. Com o Tom+as, é mais que certo que não caminhrão sozinhos.
Correu tudo bem, inclusive, o facto de só termos encontrado dois bilhetes no mercado negro para o jogo foi bom, porque o F. não poderia ir. Dia 26 de Agosto de 2006, o Benfica ganhou mais um fanático (com um pai daqueles, tudo o que sair a menos é grave) e eu fui a Anfield Road.

Na cidade onde toda a gente tem a camisola nova do clube (sem exagero, um em cada três miúdos tem a camisola nova e com nome e número de jogador atrás), não há grande ambiente à volta do estádio. Tudo calmo e pacífico com a cultura da camisola (mesmo as do West Ham misturadas) a prevalecer. Nem parecia que era o primeiro jogo do LFC em casa da época. Tudo extraordinariamente calmo. Só aquelas camisolas todas é que me faziam confusão. E havia muitas amarelas, que como podem ver pela foto...estavam à venda há dois dias!

Lá dentro, cada um sentado no lugar que o bilhete atribui e este cartaz que qualquer dia aparece em Portugal. Tudo parece ser pacífico e calmo. Mas quando o jogo começa, as coisas são diferentes e muito.
A You`ll Never Walk Alone é uma coisa do outro mundo. Faz-nos mesmo acreditar que o futebol pode ser diferente, que é possível voltar a um mundo de magia não mercantilizado. Os cachecóis no ar, o mosaico, os cânticos honestos (lá cantar é uma coisa boa, para toda a gente. Não é para maluquinhos, não tem divisões sociais, não é para os que estão de pé. Canta-se porque é futebol.) e a bancada rival cheia de sentido de humor.
"Two - onde...and you`re still afraid!" Cantavam os hammers, enquanto o LFC trocava a bola na defesa com 2-1 no marcador a seu favor.
É difícil explicar o que sente num estádio assim. Para quem passa o tempo a ver futebol em estádios degradantes, num ambiente de suspeição, com curvas de merda, bancadas vazias e mesquinhez em toda a linha, Anfield Road é um paraíso. Por um lado anima uma pessoa, dado que, afinal, há mesmo coisas melhores a acontecer. Mas por outro, como o Sr. Virgílio e este Benfica, a coisa é deprimente.
Num país onde as bancadas são supostamente contra o "futebol moderno" e vendem material como mercearias, quando se festeja a carga da polícia numa claque adversária...Como chegar até aqui?
Quando as pessoas não lutam contra a corrupção porque isso pode prejudicar o seu clube, quando cantar o hino do clube é difícil até para pessoas ditas "ultras" do seu clube... Como chegar aqui?
Quase um mÊs depois de Anfield Road, tenho saudades daquilo. Como um "País das Maravilhas". Viajar é fantástico porque nos mostra outras coisas, outras culturas e gente nova. O que dói é olhar para dentro e ver que cá a coisa não vai dar.
Quanto ao F. e à A.: obrigado por tudo. Com o Tom+as, é mais que certo que não caminhrão sozinhos.