Tuesday, April 06, 2010

Messi

Num mundo justo, quem ousasse comparar Messi a Cristiano Ronaldo era imediatamente preso e ficava a pão e água durante meses. Messi fez, depois do Barça - Valência, do Zaragoza - Barça e do Barça - Stuttgart, a quarta exibição maradoniana dos últimos tempos (estamo a falar de quê, dois meses?).
Messi é futebol puro. É o drible, é o pequeno que finta o grande, é aquela anca que mente, mente, mente. É aquele toque maravilhoso antes do segundo golo (quantos supostos craques não chutariam de primeira?), é aquele toque no livre para Pedro, é a raiva do primeiro golo, é a sublime pausa para deixar Eboué "pousar" antes de virar para outro lado.
Messi é um génio. Porra, um génio. Messi está a subir degraus para um Olimpo onde moram poucos (Maradona, Di Stefano, Eusébio, gente dessa estirpe). Messi já não é de agora, deste tempo, é para sempre. Messi é o pós - Zidane, é o jogador mais genial dos últimos anos.
Vê-lo emociona-me. Vê-lo põe-me arrepiado. Eu vi o Inglaterra - Alemanha do Itália 90, o Barça do Cruyff, o 3-6 em Alvalade, aquele golo do Ronaldo em Compostela (e os outros que ele marcou nesse jogo, que acabou 1-4), vi o Savicevic a desfazer o Barcelona em Atenas e vi a França de Deschamps e Zidane. Lembro-me perfeitamente de Romário e Bebeto na frente, dos pontapés de bicicleta de Rivaldo, da reviravolta de filme no Manchester - Bayern em Barcelona. O golo do Gascoigne à Escócia, o de Poborsky a Baía, o renascer do Real Madrid, naquela noite em Old Trafford, quando Redondo e Raul pareciam possuídos. O Euro 2000, tão, mas tão bem jogado.
E depois vi Iniesta e Xavi a trocarem a bola na final do Euro 2008, ao que se seguiu algo que só o tempo nos pode dar a distância suficiente para avaliarmos bem, o Barça de Pep Guardiola.
Neste, Leo Messi. O que hoje vimos, estes 4 golos, num desvario de quem só se quer divertir, de quem só quer brilhar, como se tivesse acabado de se apaixonar, caramba, é história a acontecer à frente dos nossos olhos. Vejo Messi a desfazer o Arsenal e - porque sinto o futebol como a metáfora máxima da vida, da emoção humana - é como se visse o nascer da primeira música, como se lesse o meu primeiro livro.
Messi não é comparável a ninguém. A alegria com que joga transpira em cada jogada. É impossível ficar indiferente. Qualquer um, perceba ou não de futebol, tem de olhar e perceber que  está ali a acontecer algo.
Eu vi Messi.